sábado, 12 de abril de 2014

O Thíasos em SAGUNTO 7, 8 e 9 de Abril

Inserida no projecto europeu Grundtvig, a Associação Cultural Thíasos em estreita colaboração com o Festea (Festival Internacional de Teatro de Tema Clássico), viajou na passada semana até Sagunto, onde participou nos Ludi Sguntini MMXIV, promovidos pela Associação Ludere et Discere, sedeada nessa cidade.
Durante os três dias de participação activa, o Thíasos apresentou, no primeiro dia desse festival, a peça Lisístrata de Aristófanes, no entretanto reconstruído teatro romano de Sagunto.





Nos restantes dias, para além da assistência a comédias e tragédias interpretadas por vários grupos espanhóis, participámos nos talleres de cultura clássica, organizados pela Associação Ludere et Discere. Para além da função pedagógica que estes talleres encerram só por si, participámos com o intuito de nos formarmos como futuros monitores para a realização deste género de oficinas.

As fotografias que se seguem dão um pequeno exemplo da nossa intervenção nessas actividades:


Taller de Mosaico Antigo

Taller de Escrita Antiga

Taller de Indumentária

Taller de Escultura.

LVDI AVGVSTANI | XVI FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE TEMA CLÁSSICO 2014

Depois da representação da Associação Cultural Thíasos da peça Lísistrata, de Aristófanes, em Sagunto (Espanha), publicamos agora o calendário do XVI FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE TEMA CLÁSSICO - FESTEA 2014.

Este ano, dedicamos o Festival Internacional de Teatro de Tema Clássico às comemorações do bimilenário da morte de Augusto. Por esse motivo, o festival terá o nome de LVDI AVGVSTANI. Por outro lado, neste ano de 2014, comemoramos também os 70 anos do Instituto de Estudos Clássicos da FLUC, casa mãe do Thíasos e do FESTEA.

Sujeito a algumas alterações, publicamos o calendário da primeira parte do festival dedicado especialmente ao público escolar.

* 7 de Abril de 2014, 2ª feira, Sagunto (Espanha), Ludi Saguntini, 16h00 - Grupo Thíasos do IEC, Lisístrata, de Aristófanes.

* 29 de Abril de 2014, 3ª feira, Coimbra (FLUC), Teatro Paulo Quintela, 21h00 - Grupo Thíasos do IEC, Andrómaca, de Eurípides (Antestreia).

* 6 de Maio de 2014, 3ª feira, Coimbra, Museu Nacional Machado de Castro, 21h00 - Grupo Thíasos do IEC, Andrómaca, de Eurípides (Estreia).

* 15 de Maio de 2014, 5ª feira, Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas, 11h00 – Workshop de Mitologia Greco-Romana | 15h00 - Grupo Thíasos do IEC, Andrómaca, de Eurípides.

*** Ludi Conimbrigenses ***

* 21 de Maio de 2014, 4ª feira, Coimbra, Museu Nacional Machado de Castro, 10h00 – Associación Ludere et Discere (Sagunto), Ateliers de Cultura Clássica (sujeito a inscrição prévia) | 15h30 – peça de teatro a anunciar.

* 22 de Maio de 2014, 5ª feira, Ruínas de Conímbriga, 10h00 – Associación Ludere et Discere (Sagunto), Ateliers de Cultura Clássica (sujeito a inscrição prévia) | 15h30 – peça de teatro a anunciar.

*** Colaboração na Mostra de Teatro Universitário ***

* 10 de Junho de 2014, 3ª feira, Mostra de Teatro Universitário, Teatro Académico de Gil Vicente, 19h00 - Grupo Thíasos do IEC, Andrómaca, de Eurípides.

* 11 de Junho de 2014, 4ª feira, Mostra de Teatro Universitário, Teatro Académico de Gil Vicente, 21h30 - Grupo Skaenika Teatro de Granada, Queda Medea, ensaio cénico sobre Séneca e Ovídio.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Grupo Noite Bohemia (A Coruña) em Coimbra para o Festival Internacional de Tema Clássico

-25 de Junho - Museu Nacional Machado de Castro 21h30 (Comedia da marmita, Plauto)

- 26 de Junho - MTU TAGV 21h30 (Efigénia em Áulide, Euripídes)

-28 de junho - Ruinas de Conimbriga 21h30 (Cásina, Plauto)

APAREÇAM!!!!



terça-feira, 9 de outubro de 2012

recital de poesia

No dia 5 de Maio de 2012, o Thíasos apresentou, mais uma vez, o seu recital O Vinho é o Espelho da Alma. A convite do Sr. Professor Doutor José Ribeiro Ferreira, o Thíasos animou a manhã de uma reunião de curso, organizada no Museu do Vinho, em Anadia.
Desta vez, as intérpretes foram Amélia Álvaro de Campos, Daniela Pereira e Carina Fernandes.
Embora este post venha atrasado, deixo aqui algumas das imagens e alguns poemas* desse dia.

Tu, Musa, afasta os cantos de guerra e comigo
celebra as núpcias dos deuses, os banquetes dos heróis
e as festas dos bem-aventurados.
   
    Estesícoro
    Fr. 210 Page = 210 Campbell




Hino a Diónisos

Diónisos, filho de Sémele de muita glória,
recordo: como apareceu na margem do mar marulhante,
sobre a escarpa de promontório, qual efebo no alvor
da adolescência. Ondeavam-lhe os belos cabelos
negros e sobre os ombros robustos tinha um manto
purpúreo.
     E logo homens, em sólida nau,
piratas, apareceram céleres no mar cor de vinho:
Tirrenos que a funesta fortuna ali trazia. Ao verem-no,
trocam sinais, rápidos saltam em terra, logo o amarram
e o levam para a nau deles, o coração a rejubilar.
Pareceu-lhes que fosse filho de reis vindos de Zeus
e, com laços indissolúveis, pretendiam amarrá-lo,
não o prendiam as correias, e os baraços desligavam-se
das mãos e dos pés. Ele sorria e continuava sentado
os olhos negros. O timoneiro compreendeu
e de imediato exortava os companheiros e lhes diz:

«Amigos, que deus agarrastes e tentais amarrar,
tão poderoso? Nem a sólida nau o consegue levar.
É com certeza Zeus, ou Apolo de arco de prata,
ou Póseidon. Não se assemelha a homens mortais
mas aos deuses que habitam as moradas do Olimpo.
Vá, coloquemo-lo em liberdade na terra negra
sem demora e não lhe ponhais as mãos, para que irado,
não desperte ventos penosos e violenta tempestade.»

Assim falou. E o comandante mofou com fala escarninha:

«Divindade, vigia o vento e comigo iça a vela da nau,
manobrando todas as cordas. É isto que interessa aos homens.
Espero que alcance o seu termo no Egipto, ou em Chipre,
ou entre os Hiperbóreos, ou mais longe. E por fim
em troca revelará aos seus amigos, todas as riquezas
e os seus parentes, pois no-lo enviou uma divindade.»

E tendo assim falado, içou o mastro e a vela da nau.
O vento inchou o meio da vela e de um e outro lado os cabos
retesavam. Mas em breve aconteceram factos espantosos.

Em primeiro lugar, pela negra nau veloz corre vinho,
doce quando se bebe, perfumado e que exalava aroma
celestial. O assombro tomou todos os nautas, quando tal viram.
E logo, ao longo do bordo mais alto da vela, estendem-se
ramos de videira, daqui e dali, e pendem inúmeros
cachos. Em volta do mastro, negra, coleava uma hera,
a proliferar flores, e nela cresciam os gratos frutos.
Todos os escalmos tinham grinaldas. Eles então, ao verem
tal coisa, ordenaram ao timoneiro que, de pronto, a nau
dirigisse a terra.
     Mas o deus, ante eles, no barco, muda em leão,
terrível em extremo, e rugia medonhamente. No meio do barco
criou uma ursa de espessas crinas, continuando os prodígios.
A ursa prestes a atacar e o leão, no extremo da ponte, tinha
terrível olhar de ameaça. E os nautas, assustados, fugiram
para a proa e à roda do timoneiro, que tinha espírito sensato,
se acolheram, atónitos. O leão, porém, salta de improviso
e fila o capitão; e os outros, para a escapar à sorte funesta, fora
se lançam, quando tal viram, todos à uma para o mar divino
e transformam-se em golfinhos. O deus compadecido do piloto,
sustém-no, concede-lhe vida próspera e dirige-lhe esta fala:

«Tem coragem, nobre ancião, que és grato ao meu coração
Eu sou Diónisos, de fundos bramidos, que tem por mãe
a filha de Cadmo, Sémele que a Zeus em amor se uniu.»

Salve, filho de Sémele de formosos olhos! Não é possível
nunca, a quem de ti se olvida, compor um doce canto.

    Hinos Homéricos VII



O vinho do Taigeto

Por coisas te louvo, vinho, por coisas te censuro. Não
consigo nunca odiar-te nem amar-te de todo.
És uma coisa boa e má. Quem é capaz de te censurar,
quem de te exalar, se tiver a medida da sabedoria?

Mantém-te jovem meu coração. Em breve virão outros
homens, e eu então, já morto serei terra negra.

Bebe o vinho, que para mim nos cumes do Taigeto
as vinhas produziram. (…)

Ao bebê-lo, dissipas as penosas preocupações:
Embriagado, ficarás muito mais bem disposto.

    Teógnis de Mégara, vv. 873-884



*- poemas retirados de Espelho da Alma. O vinho na poesia grega, antologia organizada e traduzida por José Ribeiro Ferreira. Anadia: Museu do Vinho, 2006.